quinta-feira, 8 de agosto de 2013



Raia

Eu sepulto agora
Neste exato instante
E para sempre
Todos os meus abalos sísmicos
Que não deram em nada
Além de fendas sem luz
E buscas sem feitos.

Eu sepulto minha infância ferida
Minha tristeza infinda
A adolescência debochada
Interrompida
Voluptuosa
E despida.

Sepulto minha proximidade com o nada
A perplexidade aumentada 
E tudo que se desfez.

Sepulto todas as censuras
E preconceitos
Todos os medos
A invocação do triste
Todos os vícios longos e plenos
E a falta de nitidez

Convoco para esse funeral
Minha pureza roubada
A incubação desperta
A floração mais rica
A autenticidade confessa
E a esperança que fica.

Eu sepulto meus ciclos descontinuados
Meus sonhos obstruídos
Meus afetos corrompidos
E tudo que se perdeu.

Expurgo, rastreio
Desmancho emboscadas
Bocas caladas
E todos os freios.

Me integro
Me reinicio
E liberto
Aquela que não sou eu.

(Wanda Alves)

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